Crônicas, poesias e outras derivadas...


Talvez não.

Da minha calçada vejo os carros passando...
Têm uma pressa inexplicável, uma ânsia de chegar,
Mas para quem está sem rumo no momento,
Ir para onde? Rodar quanto tempo?
Não sei...

Os vidros fechados não me permitem ver seus condutores...
Trancados em seus bólidos, alheios ao meu olhar inquisidor,
Seguem num rumo frenético à destino algum,
Pressa para quê? Correr para quê?
Não sei...

A sabedoria está em viver o agora intensamente...
Com quem se ama, mesmo que não correspondido,
Ao lado de pessoas amigas, rir à toa é tão bom!
Se tivermos problemas, dessa maneira ficará mais fácil superar?
Não sei...

Uma das poucas coisas que sei e que aprendi foi esperar...
Esperar que a adversidade passe, ou ao menos, enfrentá-la com calma e sabedoria,
Esperar a ajuda dos amigos nos momentos de angústia e pouca racionalidade,
Esperar um dia inteiro e às vezes, a noite também, um telefonema...
Quem sabe de alguém como você, que lê este meu escrito, mas como todos,
Não abrem a janela... não me permitem o vislumbre dos seus dias...

Continuo sentado na calçada da minha rua, observando...
Quantos carros de vidros fechados, quantas pessoas de corações fechados...
Não se permitem a alegria da convivência,
Não desejam aprender que ser diferente, dista muito de ser indiferente...
Se eu fosse todo poder, inteiramente amor e bondade,
Estando de pé na calçada, os carros parariam para mim?
Se meu corpo fosse inteiro da mais brilhante luz,
Se houvesse à minha volta uma imensa aura de tranqüilidade que a tudo transformasse,
Esses carros abririam seus vidros?
Não sei... são homens, seres humanos, criaturas...
Talvez não.

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